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segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Not a second to waste

"All my bags are packed, I'm ready to go..."
Toda vez que estou a esperar num aeroporto, lembro-me da música de John Denver. E toda vez que também estou viajando e despedindo-me, ela toca automaticamente na minha cabeça. Mas a parte que mais combina é "already I'm so lonesome I could die" ("já estou tão sozinho que poderia morrer"). Detesto despedidas, não gosto nem de vê-las nem na televisão, nem com pessoas desconhecidas; quando é comigo, a sensação é a como a cantada por John Denver... uma solidão desesperadora que me engole e me sufoca e me anula. Mas eu sei que tenho que ir. E vou esperando a volta, mesmo sabendo que toda vez o ciclo se repete e os "até mais" - porque finjo que vou ver logo, muito logo - sempre doem com a mesma intensidade. E uma parte de mim fica e fica em cada lugar e cada pessoa para a qual me despeço.
Como ainda cantou John Denver, "eu não sei quando retornarei. Eu odeio ter que ir".
Eu detesto despedidas.


All my bags are packed, I'm ready to go
I'm standing here outside you door
I hate to wake you up to say goodbye
But the dawn is breaking, it's early morning
The taxi's waiting, he's blowing his horn
Already I'm so lonesome I could die
So kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'Cause I'm leaving on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby I hate to go
There's so many time I let you down
So many times I played around
But I tell you now, they don't mean a thing
Every place I go I'll think of you
Every song I sing I'll sing for you
When I come back I will bring your wedding ring
Now the time has come to leave you
One more time let me kiss you
Close your eyes and I'll be on my way
Dream about the days to come
When I won't have to leave alone
About the times I won't have to say
Oh kiss me and smile for me
Tell me that you'll wait for me
Hold me like you'll never let me go
'Cause I'm leaving on a jet plane
Don't know when I'll be back again
Oh baby I hate to go

sábado, 29 de agosto de 2009

1 ano

"1 ano, como o tempo passa... Tenho muita saudade, pensei q nao fosse aguentar esta longa separacao. Gracas ao MSN sobrevivi. Claro q ter vc comigo, debaixo da minha saia, seria melhor, mas... como dizia mamae: os filhos crescem e ao mundo pertence. Sua vida profissional é importante e para sempre. A gente vai levando, nao tem outro jeito. Um beijo, meu amor. TE AMO MT"

Autora: minha mãe

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Slat

O carro está aqui para as garotas de vermelho.
Para fora do ninho, chegou a hora.
Uma luz sempre fica acessa para lembrar de onde vieram. E para onde voltar.
Uma após a outra. Chegou a hora de te deixar.
Último jantar, última risada, últimas fotos e lágrimas, nessa rua que você deixou tão vazia. Uma após a outra, elas vão.
Os telefones estão desconectados. O carro está aqui para buscar a garota dos olhos vermelhos.
Para longe da cidade, chegou a hora.
Deixe a luz acessa caso queira voltar.
E através do céu, através do mar, seus sorrisos voltaram a brilhar.
Eu não consigo parar de chorar.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Desconectados

Era mais do um pensamento frequente, era uma verdade todos os dias. Seja lá onde estivesse.
Por anos foi um amigo, uma obsessão, uma paixão, um amor, um sonho em todas as noites. Uma distância.
Alimentado pelo platonismo, pelo cansasso, pelo belo mundo idílico imaginado, pelo medo. Pela distância.
Esteva sempre presente nas conversas, nos pensamentos e nas gargalhadas. Fazia tão bem e feria tanto. E sempre querendo-o mais e de novo. Apenas mas uma vez, mais um dia e que desta vez finalmente durasse pra sempre.
Mais do que um medo, um fracasso e um sonho; as esperancas dos minutos arrastados em anos, ele não é mais o ponteiro do relógio, a espera incessante de ler seu nome, nome que se transforma aos poucos em apenas lembrancas, risadas, sonhos. E distância.
E se apaga aos poucos. Cada vez mais. Distante.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Introibo ad altare Dei

Sabia que a última vez que o vi podia ser a última. Mas foi com sinceridade que o abracei e fiquei feliz em vê-lo. Não gosto de despedidas e evitei um último encontro para dizer adeus, o tempo e a distância não trabalhavam a nosso favor. Sempre pensava nele, creio que ainda penso, todos os dias. Dos momentos de conforto que ele me deu, de risadas e até lágrimas que ele me fez chorar, dos ensinamentos e, como ele mesmo um dia disse, da amizade bonita que nasceu entre nós.
Eu gostaria imensamente de poder abracá-lo outra vez, escutar seus conselhos, derramar minhas faltas e chorar minhas confusões; e, por cima de seus óculos, perceber quanta coisa aqueles pálidos olhos azuis sentiam, afinal guardávamos nossas almas como um segredo preso na garganta. Tantas coisas que nunca saberei e todo que ele nunca pode me contar e tudo que eu falei agora estão guardados e lacrados. Foi meu confissor, meu amigo, meu pai, meu irmão, o avô que nunca tive, meu padre e meu pastor. Por cada hóstia levantada e cada passo arrastado até o altar de Deus, "conceidei ó Deus ao que partiu dessa vida a luz que não se apaga".


In memoriam Frei Marino Prim (OFM)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

It's on

"It was in a good sunny day
We walked too long with no way
We had nothing to do
that day"
(Música de uma banda local há muito tempo atrás)



Dia de sol e calor e reencontro com a amiga que não vejo por volta de um ano e meio. Ficamos nos abracando e dando pulinhos (como a maioria das mulheres histéricas fazem) no corredor por alguns segundos (talvez tenhamos ultrapassado a casa dos segundos). Fomos bater perna e jogar papo fora, falar das novidades e também das lembrancas, afinal recordacões são inerentes à longas amizades.
Como andamos sem destino certo, nossa conversa também foi se perdendo e dando voltas na linha do tempo, lembramos de pessoas que havíamos esquecido há muito tempo - engracado como são as coisas, de algumas nem lembramos as feicões - e de momentos hilários. De vez em quando a sessão nostalgia faz bem, ao contrário das vezes que beirei à lágrimas - ou cheguei a elas - neste dia, sentadas com o pé dentro do laguinho no parque, ríamos de tudo o que passou.
Quel e eu tivemos os 12 anos ouvindo rock, usando casaco de flanela, cultuando nossos All Star's (na época que o par ainda custava R$18,90) e Nirvana era a traducão de música. Quel e eu sempre gostamos de alguns estilos musicais diferentes, mesmo estilos de rock diferentes. Lembramos da época que saíamos para ir a showzinhos das bandas de garagem de Niterói, meu melhor amigo (encontra-se atualmente aqui, só que mais velho, menos magro, mais careca [te amo mlk =**]) tocava numa banda grunge e eu acompanhei de perto seus ensaios lotados em algum estúdio ou na casa de algum dos integrantes. E nós nos divertíamos.
Não acreditamos que nenhuma dessas bandas ou seus integrantes tenham ido pra frente com música, ainda que algumas bandas realmente tivessem talento e música significasse vida pra eles. Afinal não é toda banda de garagem que vira o Silverchair.
Pelo o que ficamos sabendo (visto que nenhuma de nós duas mora mais em Niterói) um dos locais toscos onde as bandas se apresentavam ainda existe, e agora até ar-condicionado tem, mas não sabemos quem vai e quais são as bandas. Passamos da idade. E era mais legal quando era tosco, quando o teto era de lona e uma árvore nascia do lado do palco e um tronco entrava pela parede. Mas se as bandas da nossa época um dia voltassem a fazer um show, tive que concordar com Quel que estaríamos presentes e na primeira fila se fosse a Freak(y). E esta é a mencionada banda que respirava música citada a cima. E talento também. O vocalista era namorado da minha irmã e meu amigo também. Eu e Quel quase sempre íamos quando eles tocavam. Eu várias vezes dividi o bateirista - único integrante sem namorada - com outro amigo do pessoal para ver quem entraria de graca e economizaria R$3,00. Nossa, da Freaky tenho muitas lembrancas. E saudades. Eles tocavam Korn, banda que eu e Quel gostávamos muito também. Flashes passaram pela minha cabeca, engracado observar como a memória age. Lembrei de eu pintando as unhas de Tiago de preto para um dos shows; as guitarras de Diogo tinham nome (e acho que era o nome das filhas de algum ou alguns dos integrantes do Sepultura); de estar mexendo no computador e Ricardo tocando guitarra na minha casa com minha irmã e o riff de "Falling away from me" me puxar de volta pro mundo, porque eu realmente amava essa música; de Tiago ter me puxado pro palco uma vez enquanto essa música rolava [e ter me matado de verginha] e de uma vez que Tiago quebrou o palco passando o som e o vocalista de outra banda caiu no buraco, a banda que o baixista da Freaky já tinha tocado. Lembrei desses momentos em questões de minutos. E ri, ri muito.
Ao fim da viagem, quando cheguei em casa, liguei o computador e baixei muitas músicas do Korn.
Quanto a Freaky, restou um cd demo que eles chegaram a gravar.


Fragmento da Freaky aqui (guitarrista FODA demais. Não tive palavra mais educada.)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Those watermelon smiles just can't ripen underwater"

Mas as luzes e luxos ofuscantes não trazem o menor encanto e aqueles sorrisos frágeis pintados de vermelho que desfilam com elegância e falsa confidência estão murchando e não deixaram sementes. Enquanto observo outro avião pousar e vejo as luzes piscando a distância e amo tudo isso, gostaria que sentissem o mesmo. E essa grande rua de arranha-céus e intenso movimento sempre me lembrarão de quem não estará lá mais e enquanto os dias passam, é um a menos para estarmos perto porque eu sei que seus sorrisos só voltarão a brilhar atrás do mar.



"Our daydream spills from my golden neck
breakes free from my wooden neck
left a nod over sleeping waves
And boy did they have fun behind the sea?
They sang 'so our matching legs are marching clocks
And we're all too small to talk to God'
Don't you know that those watermelon smiles
just can't ripen underwater"
(Panic at the disco - Behind the sea)

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Esqueceram da gente?

Todo ano no Brasil, na época do Natal, a rede Globo passa "Esqueceram de Mim". Seja o primeiro ou o segundo, é tão certo de passar quanto a Missa do Galo (nunca entendi esse nome). Esse ano deve ter passado, e , como não estou lá pra assistir, porque eu adoro, eu e meu colega Alfredo assistimos no avião enquanto íamos como passageiros (a trabalho) prum lugar longe.
Eu lembro que no Natal de 2005 passei sozinha na Alemanha e por lá tbm passaram Esqueceram de Mim 2 e eu chorei quando o Kevin está na árvore do Rockfeller Center e pede pra ver a família dele nem que fosse por um segundo. Eu também queria ter uma estrela da sorte pra pedir isso neste Natal. E minha igreja... que saudade que eu sinto da minha paróquia e do meu pároco (Salesianos de Dom Bosco com muito amor!), das missas de domingo e principalmente nessa época de Natal. Também gosto da ceia de Natal, como diria minha amiga Cristiane, onde se come tanto que sai da mesa engatinhando (lol), do pavê que minha mãe faz e do chester (que eu sempre faco corelacão com o vocal do Linkin Park e lamento o nome culinário dele).
Passei 4 dias consecutivos olhando p cara de Alfredo e foi uma boa companhia enquanto voávamos por países distantes. E quem mais assiste Esqueceram de Mim (1) no avião e ainda ri do ladrão magrino??! Confesso que curto esse filme e adoro o ladrão magrinho e dou gargalhadas dele. E assim sendo, já que não vou passar o Natal no Rockfeller Center igual ao Kevin, desejo a todos um Feliz Natal!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Nostalgia da infância paulistana

Estava conversando com um amigo um dia desses, aquelas conversas que assuntos surgem do nada e começamos a falar sobre nossa feliz infância em São Paulo. Entre elas, o Parque da Mônica pra mim ainda é a melhor. Eu fui tantas vezes que não sei mais. As casas da Mônica e da Magali que só tinha vários vestidos iguais no guarda-roupa; o banco com cheques e dinheiro da Mônica e a pscina de bolinha. Mas não adianta querer voltar lá na próxima ida a São Paulo, numa crise de infantilidade que me ocorre de vez em quando, pois nossa altura atual não nos deixa entrar na maioria dos lugares. Se é que ainda se usa aquele medidor de altura, o qual eu acho muito injusto; se a criança é muito alta pra idade dela, coitada. Pelo menos o parque continua lá.
Lembramos do finado Simba Safari. Sempre tinha um macaco pra grudar na grade de proteção da janela do carro. meu tio dizia que os animais já o conheciam, toda vez que ia visita ele tinha que levar no Simba Safari. Era uma idéia interessante deixar os bichos soltos, agora eles voltaram pro cercado, virou um zoológico que as pessoas vão visitar de carro.
E quem lembra do The Waves? Sinceramente, lembro vagamente, não tenho uma memória muito boa e essa infância paulistana já aconteceu a acabou há muitos anos. Lembro da pscina de correnteza que era uma dificuldade pra sair dela; a pscina de onda que eu achava ideal, detesto o sal da água do mar; os toboáguas multicoloridos e incrivelmente grandes. Também acabou.
Itu. Viajava-se um tempinho pra fora da cidade de São Paulo pra ver a tal da cidade onde tudo é gigante. Só se for gigante na monotonia. Não tem nada "de Itu" em Itu, apenas um orelhão (que remota ao tempo dos orelhões de ficha) gigante e umas borrachas enormes da lojinha de lembrançinhas de Itu. Que fiasco de lugar.
Também não fica muito pra trás no fiasco a Cidade da Criança. Coitada das crianças, deviam ir lá cheias de alegria num lugar supostamente pra se divertirem. A única coisa que lembro são de uns brinquedinhos velhos e um poço pra jogar moeda e fazer desejo. Imagino quantas moedas foram jogadas alí desejando que o lugar se transformasse numa verdadeira cidade da criança, uma disneylândia nas inocentes cabecinhas infantis desapontadas. Se alguém voltar lá pelos dias atuais, me digam como está.
Mas de todas as lembranças, as mais presentes na minha memória é o barulho do metrô e dos aviões sobrevoando baixinho o bairro de Jabaquara. E minha tia que tomava sol na varanda e acenava pra eles. Carioca sem praia se vira do jeito que pode.
Criança se diverte com qualquer coisa e é por isso que guardo boas lembranças dessa nostálgica infância paulistana. A última vez que estive lá, pode-se dizer que fiquei levemente entediada. Afinal, só me restaram as recordações, nem a família ficou por lá.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Para sempre

Comecei a mexer naquela velha caixa de sapato. Há muitos anos de histórias lá dentro, alguns papéis já remendados de tanto serem lidos e dobrados, alguns, escritos a lápis, já falham as letras. Tantas cartas, tantas memórias... alí dentro encontrei lembranças boas, dei risadas, também as que me fizeram chorar. Reli sobre o que escrevemos sobre amigos, pessoas que já até tinha esquecido que existiam. Enfim, memórias. Eu nunca tive o hábito de escrever cartas, na verdade gosto delas, mas não me concidero bom escrito. Adorava receber as cartas dela, cada envelope na caixinha do correspondência no meu nome e eu entrava em êxtase, sabia que seria dela. Morávamos longe, e as cartas nos mantinham tão perto, tínhamos os mesmos sentimentos, pensávamos igual em relação a muitos assuntos. Nossas cartas eram enormes e foi por ela que escrevi tantas páginas. Foi minha melhor amiga, esteve comigo em momentos que precisei, dividiu minhas tristezas e sentimentos que jamais contei a qualquer outra pessoa, ninguém entenderia, só nós dois, éramos diferentes, e, naquele papel, era o nosso mundo e nada mais importava. A saudade é imensa toda vez que abro essa caixa, toda vez que penso nela. Tanta história, tanto passado, tantos sonhos na prateleira. Eu queria tê-los transformado em realidade, fugir do mundo, de todos, afinal sentíamos como os únicos no mundo que entendiam um ao outro, éramos como uma mesma alma em corpos separados. Doce inocência e ingenuidade, éramos ambos muito jovens e tínhamos verdadeiro amor e ainda puro um pelo outro. Ela era a rainha dos meus sonhos e as cartas e os momentos com ela valiam tudo pra mim. Eu queria ajudá-la e ela dizia que o fato de eu estar alí já era o necessário, a fazia rir, eu a compreendia, partilhava sentimentos e ela dizia que não havia ninguém no universo tão maravilhoso quanto eu. Arrumei as cartas dela por data, nunca consigo chegar a ler a última. Sou mesmo muito emotivo para saber lidar com a saudade de tudo que ela foi e sempre será pra mim. Prefiro parar nas linhas do agradecimento e que sempre terei meu lugar guardado ao lado dela, seja onde e quando for. Anos depois, eu ainda sonho com ela toda noite, ainda falo com ela e a vejo, perdido em momentos que se misturam com o que aconteceu e como seria hoje, desde a última carta que voltou, acompanha por um bilhete não escrito por ela. Ela só queria ser feliz, livre, acabar com aquele martírio. E então ela se foi.

terça-feira, 25 de março de 2008

Duc in altum

E então terminou. Até que durou bastante, mas muita distância, muitas barreiras, muitos esforços e sacrifícios seriam necessários. E tanto mar...
Ele nunca saiu do seu porto seguro, tudo poderia ter sido evitado desde o início, se ele tivesse falado que não iria ao auto-mar. Teria sido mais honesto. Mas falar não é da personalidade dele, nem agir. Já ela detestava o marasmo e ficar sozinha no meio do mar se tornou cansativo, solitário. Voltou pro seu canto, mesmo sendo o oposto do outro. Ficaram de "oi, tudo bem? Como vai a vida?" até que essas palavras vão perdendo seus verdadeiros interesses e vão ficando ao longo do mar. E é tanto mar, tanto tempo, que pelo menos nenhuma das partes sofre mais. E então acabou.

terça-feira, 18 de março de 2008

O vício dos ausentes

Eles nunca se viram e provavelmente nunca irão. Já se passaram cinco anos desde que souberam a existência um do outro e não mais tiveram contato, mas nunca se esqueceram. Inventaram cada um uma personalidade para o outro e transformaram este naquilo que desejavam que fosse. Pensaram algumas vezes em se encontrarem, mas como conseguir encontrar alguém que você criou? Ou como não se decepcionar que o outro não fosse exatamente como o imaginado?
Preferiram perder o contato, deixar os cabos desconectarem. Eles ainda se lembram de todos os momentos que estiveram juntos, de todas as conversas, dos sonhos que tiveram, porém era uma lembrança de algo que nunca existiu. Não existem fotos, filmes, sensações reais, mas ainda sim o cheiro daqueles dias ainda é tão verdadeiro que podem sentir só de fecharem os olhos.
Não houve entre eles mais que algumas palavras, mas ainda estão presos nos lugarem em que tantas vezes se visitaram. A nostalgia de todas as suas quimeras. De tanto se imaginarem, muitas vezes duvidam que o outro seja real, que possa existir alguma coisa além daquelas lembranças construídas em volta de tão pouco.
Continuam no pólo errado e ainda se vêem em seus sonhos.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"The only things against us now is time"

E foi assim. Ela faleceu. E já faz mais de um ano. Não faz muita diferença pra quem só descobre agora. Eu sinto saudade dela, era um boa pessoa, um bom coração e uma solidão notável. Não passamos muito tempo juntas, mas me deixou com vontade de voltar e vê-la novamente um dia. Ela e ele. Eu quis partir e nunca imaginei que pouquíssimo tempo depois ela faleceria e minha volta não existiria, eu não a verei com vida de novo. Nunca mais. Se eu tivesse tido mais um dia, só mais um dia... Foi naquela casinha, naquela cidadezinha, naquele momento tão conturbado que a tristeza me deu vontade de dar um passo e mudar de direção, mesmo a direção sendo deixá-los, eu os levaria sempre no coração e foram com eles que senti, finalmente, essa vontade. Alegria e tristeza, prisão e liberdade... como sentir tanto antagonismo ao mesmo tempo? Eu senti. E foi graças a eles, a ela. Vou me lembrar pra sempre do gosto daquele queijo, das nossas muitas batatas cozinhadas, daqueles potes de iogurtes que adorávamos comer, da torta de queijo que ela fez naquele dia que cheguei em casa chorando e ela percebeu; disse que me despedi de uma amiga, mas era a situação q eu estava vivendo. E ela entende o que é a despedida. Nos despedimos com sorrisos sem saber que seria a última despedida. Talvez ela soubesse, mas eu não sabia, não queria que fosse. Queria me sentar naquela cozinha novamente e bebermos chá juntas, aliás, foi por sua causa que passei a ter esse hábito. E foi por você que aprendi a pilotar uma cadeira de rodas e os trabalhos que ela traz. Eu agradeço por tudo e por aquele "eu nunca vou encontrar outra como você". E eu tbm não. Descance em paz.

Em memória de Anna-Marie G.
(192X-2006)

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mesmo eu sabendo que você não poderia estar lá

Mesmo eu sabendo que não era você alí comigo, eu me deixei levar. Procurar por um amor fácil, por alguns minutos, algumas horas talvez. É ruim estar sozinha, tão sozinha que se torna carente e cai nos braços de alguém tão facilmente. Mas, que coisa, não parei de pensar em você um minuto, o tempo todo, queria que você fosse quem estivesse alí. Mesmo o tempo não trabalhando a nosso favor, eu sempre lembro de você nas pequenas coisas, te procuro nos simples fatos mesmo sabendo que você não está em qualquer lugar, nem em todos ao mesmo tempo, nem ao menos tenha estado alguma vez. Mas eu sinto sua falta. Não quero qualquer um, não quero qualquer companhia, mais uma, menos uma, tanto faz. Qualquer quarto, uma cama para deitar. Não. Queria que fosse você. E é por isso que esta noite me sinto tão vazia. Queria dormir em seus braços, olhar com sinceridade no seu rosto, nos seus olhos e saber que você - não algúem, mas você - me ama. E sentir que estaria tudo bem e que tudo ficaria bem, que estaríamos assim, juntos em corpo e em sentimentos para sempre. Mesmo sabendo o que para sempre pode acabar com o amanhacer. Hoje estamos longe, procurando um o outro em outras bocas, mas sem abraços, sem amor de verdade. Amor de verdade... só sei que existe porque senti em você. Eu queria estar com você agora e dizer que farei com isso seja eterno para nós dois, que te amaria para sempre porque é você em quem eu penso em todos os momentos, ainda que estejamos sendo jogados de um lado para o outro nas mãos do tempo, da dor... da vida. Até quando?