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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Batalha no céu - Os anjos da minha vida.

- Ei Miguel, eu cheguei primeiro. Foi comigo que ela chorou as mágoas, que se refugiou quando precisou. A fiz rir quando chorava. Cantamos nossas canções amadas, estive ao lado mesmo que fosse para não fazermos nada. E ela também gostava do meu gato.

- Não vim em missão de batalha, Gabriel. Não vou tirá-la de ti. Não é o fim, apenas outra passagem do tempo. Eu sei que você se importa e também se preocupa, mas ela não lhe deixará cair da posição angelical de protetor. Eu também a dou um abraço e um ombro amigo, divimos canções (ainda que não sejam as do Dormants). Conversamos de tudo, entendo que você sinta saudade, não é com qualquer amigo que nos abrimos sobre os traumas passados ou simplesmente falamos do azul do céu.

- Miguel, ela é especial, diferente, simplesmente complicada. Cuidado quando estiver armado, suas asas podem atingi-la e ela é mais sensível do que aparenta.

- Você sabe que ainda é o arcanjo, um amigo verdadeiro, sem confusões de sentimentos ou málucas de amarguras e distância causada pela tempo. Você, Gabriel, é o anúncio da saudade e a razão de um sorriso nostálgico.

- E você sabe, Miguel, que chegou ao topo, conquistou sua batalha. Não a deixe cair. Eu vou ampará-la nas minhas asas, mas tal ferida por você causada, não sei se posso curar. Se sou o que chegou primeiro, você é o que está suposto a ser a salvação final. Sobreviva e faça-a viver.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Girls from Mars

Amizades não duram pra sempre. Eu mesma tenho alguns ex-amigos. Por vezes é simplesmente a vida - a gente cresce e tomas rumos completamente diferentes, o contato vai ficando raro e os assuntos difíceis de serem os mesmos. Outras vezes é briga mesmo, os santos se enfrentam e acabou. E as raras vezes elas realmente duram pra sempre. Eu encontrei uma amiga na escola, sentávamos perto, na fileira da frente porque éramos muito míopes pra sentar atrás. Fomos assistir a um filme horrendo num cinema péssimo e nunca mais nos largamos. Mudamos de escola, mudamos de estilo, vivemos momentos diferentes, mas nunca o telefone deixou de tocar e cada conversa durava horas; e muitas risadas. Muitas visitas, aulas matadas, confeitarias toscas e noites não dormidas. São a lembranças quase comicas como essas que me apego no momento da saudade, da distancia, do telefone que não tocou e do Agosto passado. Escuto nossas músicas, rio das nossas piadas internas e das babaquices sem tamanho que fizemos. E aquele pedaço de bolo ainda está na geladeira.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Slat

O carro está aqui para as garotas de vermelho.
Para fora do ninho, chegou a hora.
Uma luz sempre fica acessa para lembrar de onde vieram. E para onde voltar.
Uma após a outra. Chegou a hora de te deixar.
Último jantar, última risada, últimas fotos e lágrimas, nessa rua que você deixou tão vazia. Uma após a outra, elas vão.
Os telefones estão desconectados. O carro está aqui para buscar a garota dos olhos vermelhos.
Para longe da cidade, chegou a hora.
Deixe a luz acessa caso queira voltar.
E através do céu, através do mar, seus sorrisos voltaram a brilhar.
Eu não consigo parar de chorar.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Introibo ad altare Dei

Sabia que a última vez que o vi podia ser a última. Mas foi com sinceridade que o abracei e fiquei feliz em vê-lo. Não gosto de despedidas e evitei um último encontro para dizer adeus, o tempo e a distância não trabalhavam a nosso favor. Sempre pensava nele, creio que ainda penso, todos os dias. Dos momentos de conforto que ele me deu, de risadas e até lágrimas que ele me fez chorar, dos ensinamentos e, como ele mesmo um dia disse, da amizade bonita que nasceu entre nós.
Eu gostaria imensamente de poder abracá-lo outra vez, escutar seus conselhos, derramar minhas faltas e chorar minhas confusões; e, por cima de seus óculos, perceber quanta coisa aqueles pálidos olhos azuis sentiam, afinal guardávamos nossas almas como um segredo preso na garganta. Tantas coisas que nunca saberei e todo que ele nunca pode me contar e tudo que eu falei agora estão guardados e lacrados. Foi meu confissor, meu amigo, meu pai, meu irmão, o avô que nunca tive, meu padre e meu pastor. Por cada hóstia levantada e cada passo arrastado até o altar de Deus, "conceidei ó Deus ao que partiu dessa vida a luz que não se apaga".


In memoriam Frei Marino Prim (OFM)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

It's on

"It was in a good sunny day
We walked too long with no way
We had nothing to do
that day"
(Música de uma banda local há muito tempo atrás)



Dia de sol e calor e reencontro com a amiga que não vejo por volta de um ano e meio. Ficamos nos abracando e dando pulinhos (como a maioria das mulheres histéricas fazem) no corredor por alguns segundos (talvez tenhamos ultrapassado a casa dos segundos). Fomos bater perna e jogar papo fora, falar das novidades e também das lembrancas, afinal recordacões são inerentes à longas amizades.
Como andamos sem destino certo, nossa conversa também foi se perdendo e dando voltas na linha do tempo, lembramos de pessoas que havíamos esquecido há muito tempo - engracado como são as coisas, de algumas nem lembramos as feicões - e de momentos hilários. De vez em quando a sessão nostalgia faz bem, ao contrário das vezes que beirei à lágrimas - ou cheguei a elas - neste dia, sentadas com o pé dentro do laguinho no parque, ríamos de tudo o que passou.
Quel e eu tivemos os 12 anos ouvindo rock, usando casaco de flanela, cultuando nossos All Star's (na época que o par ainda custava R$18,90) e Nirvana era a traducão de música. Quel e eu sempre gostamos de alguns estilos musicais diferentes, mesmo estilos de rock diferentes. Lembramos da época que saíamos para ir a showzinhos das bandas de garagem de Niterói, meu melhor amigo (encontra-se atualmente aqui, só que mais velho, menos magro, mais careca [te amo mlk =**]) tocava numa banda grunge e eu acompanhei de perto seus ensaios lotados em algum estúdio ou na casa de algum dos integrantes. E nós nos divertíamos.
Não acreditamos que nenhuma dessas bandas ou seus integrantes tenham ido pra frente com música, ainda que algumas bandas realmente tivessem talento e música significasse vida pra eles. Afinal não é toda banda de garagem que vira o Silverchair.
Pelo o que ficamos sabendo (visto que nenhuma de nós duas mora mais em Niterói) um dos locais toscos onde as bandas se apresentavam ainda existe, e agora até ar-condicionado tem, mas não sabemos quem vai e quais são as bandas. Passamos da idade. E era mais legal quando era tosco, quando o teto era de lona e uma árvore nascia do lado do palco e um tronco entrava pela parede. Mas se as bandas da nossa época um dia voltassem a fazer um show, tive que concordar com Quel que estaríamos presentes e na primeira fila se fosse a Freak(y). E esta é a mencionada banda que respirava música citada a cima. E talento também. O vocalista era namorado da minha irmã e meu amigo também. Eu e Quel quase sempre íamos quando eles tocavam. Eu várias vezes dividi o bateirista - único integrante sem namorada - com outro amigo do pessoal para ver quem entraria de graca e economizaria R$3,00. Nossa, da Freaky tenho muitas lembrancas. E saudades. Eles tocavam Korn, banda que eu e Quel gostávamos muito também. Flashes passaram pela minha cabeca, engracado observar como a memória age. Lembrei de eu pintando as unhas de Tiago de preto para um dos shows; as guitarras de Diogo tinham nome (e acho que era o nome das filhas de algum ou alguns dos integrantes do Sepultura); de estar mexendo no computador e Ricardo tocando guitarra na minha casa com minha irmã e o riff de "Falling away from me" me puxar de volta pro mundo, porque eu realmente amava essa música; de Tiago ter me puxado pro palco uma vez enquanto essa música rolava [e ter me matado de verginha] e de uma vez que Tiago quebrou o palco passando o som e o vocalista de outra banda caiu no buraco, a banda que o baixista da Freaky já tinha tocado. Lembrei desses momentos em questões de minutos. E ri, ri muito.
Ao fim da viagem, quando cheguei em casa, liguei o computador e baixei muitas músicas do Korn.
Quanto a Freaky, restou um cd demo que eles chegaram a gravar.


Fragmento da Freaky aqui (guitarrista FODA demais. Não tive palavra mais educada.)

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Those watermelon smiles just can't ripen underwater"

Mas as luzes e luxos ofuscantes não trazem o menor encanto e aqueles sorrisos frágeis pintados de vermelho que desfilam com elegância e falsa confidência estão murchando e não deixaram sementes. Enquanto observo outro avião pousar e vejo as luzes piscando a distância e amo tudo isso, gostaria que sentissem o mesmo. E essa grande rua de arranha-céus e intenso movimento sempre me lembrarão de quem não estará lá mais e enquanto os dias passam, é um a menos para estarmos perto porque eu sei que seus sorrisos só voltarão a brilhar atrás do mar.



"Our daydream spills from my golden neck
breakes free from my wooden neck
left a nod over sleeping waves
And boy did they have fun behind the sea?
They sang 'so our matching legs are marching clocks
And we're all too small to talk to God'
Don't you know that those watermelon smiles
just can't ripen underwater"
(Panic at the disco - Behind the sea)