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domingo, 22 de novembro de 2009

Motilium

Peguei uma gripe, ou seja lá o que é isto, faz 3 dias. Nariz escorrendo a cada 2 segundos e entupido. Eu adoro viajar a trabalho para São Paulo, é raro de acontecer, mas amanhã está agendado. Me deixou feliz, apesar de nem a família nem Naty poderem ir, eu adoro viajar para São Paulo. Fiz uso dos comprimidos de panadol dia gripe e resfriado e descongestionador nasal que tinha em casa. Na noite do segundo dia, o quadro não melhorando e São Paulo se aproximando, minha hipocondria tomou dois comprimidos de panadol, duas aspirinas (aquelas receitadas para ataque cardíaco, mas que também aliviam sintomas de gripe), um clarinase e os doiis comprimidos de vitamina c esfervescente que tomei pela manhã. Dormi. Acordei com nariz entupido e achando que ia ter um ataque cardíaco; meu coração batia umas 200 vezes por minuto, meu nariz bloqueado ainda e uma náusea tremenda. Fui cozinhar aquele bendito feijão que levoy 24h de molho e 2h na panela (porque a boa brasileira aqui que vos escreve não comprou uma panela de pressão e arranjou um jeito de enfiá-la na mala) com muito alho e cebola, e maldito alho! O cheiro fica na mão por dias, e toda vez que levo a mão ao nariz, o estômago grita. Fui na farmácia com a brilhante ideia de comprar mais panadol e continuar minha auto-medicação, tendo em mente que tenho que melhorar até hoje para ir linda, loira e japonesa pro meu amado São Paulo amanhã de manhã. A mocinha do balcão me recomendou ver um médico já que é o 3o dia e o panadol não está resolvendo muito. Voltei pra casa, quase desmaiei ao andar 5 minutos na rua, coloquei o iogurte pra fora e fiquei pensando no Casey Calvert, que misturou uns remédios e agora está bem embaixo da terra. Devia ter pensado nisso na noite anterior. Muito tarde. Já senti os efeitos da overdose e rezei pro Calvert ir me encontrar no "céu dos overdosados". Fui cambaleando pro médico e tive que pagar de ridícula e contar pra ele minha dosagem exagerada e errada. Ele deu um risinho abafado e disse que não é nada para eu me preocupar, mas para nunca mais misturar remédio: clarinase dá palpitação, aspirina dá enjoo e panadol ainda contém cafeína. Ótimo, arranjei um coquetel pro enjoo e o brinde com Calvert vai ficar pra próxima. Ele me receitou um óleo para pôr na água quente e inalar o vapor, remédio pra passar o enjoo e o spray nasal, e nada de voar até que quarta-feira e voltar lá para ele ver como vou ficar. Resultado: Adeus São Paulo. Já chorei, fiquei emotiva, e nunca mais misturo remédio nenhum.
E São Paulo?! =~(

domingo, 19 de abril de 2009

Oluwa wo ran mi ni lowo

Tenho uma certa saudade do meu país. E toda vez que vou à África ela acontece. A 500 metros do solo, já sei que vou encontrar tanto verde, calor, ruas de terra batida sem asfalto, casas que se assemelham com as favelas e aquela gente negra e simpática. Os aeroportos na maioria das vezes são muito mal desenvolvidos, parecem com a rodoviária internacional do Rio de Janeiro a.k.a Galeão. A África faz me sentir no Brasil. Afinal, não estamos tão longe, antes das léguas marítimas nos separarem estávamos bem ao lado. Depois veio a escravidão. E o Brasil tem muita raíz africana.
O que mais me encanta é o povo. Há vida na África. A última vez que estive na Europa, num sábado de sol com um lindo céu azul na Alemanha, não se via ninguém na rua. Os poucos que andam, parecem tristes e amargurados, ou sentam pra ver a vida passar. Na África, onde há tanta corrupcão, pobreza, malária e hiv em altos índices, encontra-se um povo sorridente, alegre, receptivo ao estrangeiro e um sorriso onde não se vê falsidade como nos sorrisos murchos europeus. O sorriso do africano é contagiante, a gentileza do povo me deixa pasma, nunca em hotel algum carregaram minha mala até meu quarto - e fizeram isso para todos nossos colegas - e sempre sorrindo. Toda vez que vou à África eu esqueco todo tormento, me perco e me encontro no verde da natureza, é um lugar onde pensamentos brotam, se transformam e tudo se cura. Há tanta, tanta vida na África. Uma colega negra africana diz que se todo o continente se unisse e formasse um só país, a economia mundial entraria em declínio e eles seriam os donos do mundo. Uma terra onde o que se planta, nasce; ouro e tantas riquezas naturais e um povo que sabe viver e sorrir, sorrir com a alma, em meio a tanta labuta e dificuldade. Acho que isso o brasileiro tem do africano. E essas viagens para a África me trazem essa saudade de casa e toda vez que vou para lá, meu coracão viaja todas essas léguas entre um continente e outro. E se alegra.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

It's on

"It was in a good sunny day
We walked too long with no way
We had nothing to do
that day"
(Música de uma banda local há muito tempo atrás)



Dia de sol e calor e reencontro com a amiga que não vejo por volta de um ano e meio. Ficamos nos abracando e dando pulinhos (como a maioria das mulheres histéricas fazem) no corredor por alguns segundos (talvez tenhamos ultrapassado a casa dos segundos). Fomos bater perna e jogar papo fora, falar das novidades e também das lembrancas, afinal recordacões são inerentes à longas amizades.
Como andamos sem destino certo, nossa conversa também foi se perdendo e dando voltas na linha do tempo, lembramos de pessoas que havíamos esquecido há muito tempo - engracado como são as coisas, de algumas nem lembramos as feicões - e de momentos hilários. De vez em quando a sessão nostalgia faz bem, ao contrário das vezes que beirei à lágrimas - ou cheguei a elas - neste dia, sentadas com o pé dentro do laguinho no parque, ríamos de tudo o que passou.
Quel e eu tivemos os 12 anos ouvindo rock, usando casaco de flanela, cultuando nossos All Star's (na época que o par ainda custava R$18,90) e Nirvana era a traducão de música. Quel e eu sempre gostamos de alguns estilos musicais diferentes, mesmo estilos de rock diferentes. Lembramos da época que saíamos para ir a showzinhos das bandas de garagem de Niterói, meu melhor amigo (encontra-se atualmente aqui, só que mais velho, menos magro, mais careca [te amo mlk =**]) tocava numa banda grunge e eu acompanhei de perto seus ensaios lotados em algum estúdio ou na casa de algum dos integrantes. E nós nos divertíamos.
Não acreditamos que nenhuma dessas bandas ou seus integrantes tenham ido pra frente com música, ainda que algumas bandas realmente tivessem talento e música significasse vida pra eles. Afinal não é toda banda de garagem que vira o Silverchair.
Pelo o que ficamos sabendo (visto que nenhuma de nós duas mora mais em Niterói) um dos locais toscos onde as bandas se apresentavam ainda existe, e agora até ar-condicionado tem, mas não sabemos quem vai e quais são as bandas. Passamos da idade. E era mais legal quando era tosco, quando o teto era de lona e uma árvore nascia do lado do palco e um tronco entrava pela parede. Mas se as bandas da nossa época um dia voltassem a fazer um show, tive que concordar com Quel que estaríamos presentes e na primeira fila se fosse a Freak(y). E esta é a mencionada banda que respirava música citada a cima. E talento também. O vocalista era namorado da minha irmã e meu amigo também. Eu e Quel quase sempre íamos quando eles tocavam. Eu várias vezes dividi o bateirista - único integrante sem namorada - com outro amigo do pessoal para ver quem entraria de graca e economizaria R$3,00. Nossa, da Freaky tenho muitas lembrancas. E saudades. Eles tocavam Korn, banda que eu e Quel gostávamos muito também. Flashes passaram pela minha cabeca, engracado observar como a memória age. Lembrei de eu pintando as unhas de Tiago de preto para um dos shows; as guitarras de Diogo tinham nome (e acho que era o nome das filhas de algum ou alguns dos integrantes do Sepultura); de estar mexendo no computador e Ricardo tocando guitarra na minha casa com minha irmã e o riff de "Falling away from me" me puxar de volta pro mundo, porque eu realmente amava essa música; de Tiago ter me puxado pro palco uma vez enquanto essa música rolava [e ter me matado de verginha] e de uma vez que Tiago quebrou o palco passando o som e o vocalista de outra banda caiu no buraco, a banda que o baixista da Freaky já tinha tocado. Lembrei desses momentos em questões de minutos. E ri, ri muito.
Ao fim da viagem, quando cheguei em casa, liguei o computador e baixei muitas músicas do Korn.
Quanto a Freaky, restou um cd demo que eles chegaram a gravar.


Fragmento da Freaky aqui (guitarrista FODA demais. Não tive palavra mais educada.)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"Viena, Viena e tanta tristeza"

"Eu tenho essa saudade. Sempre que venho a Viena, ela acontece."
O destino é mesmo irônico, afinal, depois de todos esses anos, estive em Viena. Finalmente cheguei. Tarde demais pra quem gostaria que estivesse por lá. Ou ainda esteja, mas não mais na minha vida. E essa época está agora tão distante como se estivesse por trás de uma cortina de fumaça. Enquanto caminhava naquelas ruas, lembrava de coisas que não deveria ter lido, de cada risada e lágrima e tanta tristeza e tanta alegria, de volta naquelas ruas onde tudo começou. E fiquei profundamente nostálgica do que um dia eu tive, do quanto eu queria ter de volta e não posso.
Sentei com dois amigos que moram em Viena para tomar um café e uma taça de vinho e a colinária austro-alemã que aprecio demais. Conversamos sobre nossas vidas atualmente e sobre a nostalgia de estar longe de uma terra de onde éramos tão felizes e ficou tão distante. Ao menos meus amigos estarão em Viena por longos anos, o que torna-se mais um motivo para que eu volte. E certamente voltarei.
Há pouco tempo conversei com uma amiga que morava na Europa, falamos sobre a beleza do velho continente, as construções medievais, as casas com telhados em forma de "v" invertido, da beleza da neve no inverno e dos verões onde o sol brilha até dez horas da noite, os trens que esperávamos e viajávamos por horas com alegria, a beleza natural, as ruas por onde saíamos para simplesmente andar. Quando ela esteve lá pela segunda vez, ir embora foi muito mais difícil do que da primeira, porque tudo a deixava feliz, bobamente feliz, o simples fato de estar andando pela rua era bom pra ela. E isso a fez perceber o quanto ela era feliz alí e o quanto queria que isso nunca acabasse, queria ficar lá para sempre. Senti o mesmo.
Marlene Dietrich cantava uma antiga canção que dizia
"Se eu pudesse fazer um pedido,
pediria um pouco de felicidade.
Porque se eu fosse feliz demais,
teria saudades da tristeza."
E sempre volto a pensar em Viena, em todas as lembrancas belas e terríveis, mas em geral guardo muito mais as belas, até porque elas não se separam, sendo que a tristeza e a alegria são inerentes nos meus sentimentos a esta cidade. E assim minha saudade nunca terminará, essa saudade da tristeza de um tempo perdido e de um jamais vivido.
Naturalmente, nada que acontecesse nesse mundo acontece por acaso ou sem sentido. Talvez tudo apenas dure muito, muito tempo. Então minhas viagens a Viena e meus caminhos para o passado não seriam saudades, mas saudades da esperança? Ninguém pode responder.
Em nesta minha viagem a Viena, não fechei a página do livro da memória, nem chegou ao fim da história, apenas parece ser o fim do mundo. Então talvez, minha querida Naty, quando finalmente cruzarmos a linha entre os pólos, neste lugar de todas nossas recordações, então nós, que sempre quisemos saber tantas coisas, finalmente saberemos o que vale a pena saber.
Fragmentos do texto pertencem a JM Simmel, do conto "Viena, Viena e tanta tristeza"

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"Those watermelon smiles just can't ripen underwater"

Mas as luzes e luxos ofuscantes não trazem o menor encanto e aqueles sorrisos frágeis pintados de vermelho que desfilam com elegância e falsa confidência estão murchando e não deixaram sementes. Enquanto observo outro avião pousar e vejo as luzes piscando a distância e amo tudo isso, gostaria que sentissem o mesmo. E essa grande rua de arranha-céus e intenso movimento sempre me lembrarão de quem não estará lá mais e enquanto os dias passam, é um a menos para estarmos perto porque eu sei que seus sorrisos só voltarão a brilhar atrás do mar.



"Our daydream spills from my golden neck
breakes free from my wooden neck
left a nod over sleeping waves
And boy did they have fun behind the sea?
They sang 'so our matching legs are marching clocks
And we're all too small to talk to God'
Don't you know that those watermelon smiles
just can't ripen underwater"
(Panic at the disco - Behind the sea)