terça-feira, 18 de dezembro de 2007

"The only things against us now is time"

E foi assim. Ela faleceu. E já faz mais de um ano. Não faz muita diferença pra quem só descobre agora. Eu sinto saudade dela, era um boa pessoa, um bom coração e uma solidão notável. Não passamos muito tempo juntas, mas me deixou com vontade de voltar e vê-la novamente um dia. Ela e ele. Eu quis partir e nunca imaginei que pouquíssimo tempo depois ela faleceria e minha volta não existiria, eu não a verei com vida de novo. Nunca mais. Se eu tivesse tido mais um dia, só mais um dia... Foi naquela casinha, naquela cidadezinha, naquele momento tão conturbado que a tristeza me deu vontade de dar um passo e mudar de direção, mesmo a direção sendo deixá-los, eu os levaria sempre no coração e foram com eles que senti, finalmente, essa vontade. Alegria e tristeza, prisão e liberdade... como sentir tanto antagonismo ao mesmo tempo? Eu senti. E foi graças a eles, a ela. Vou me lembrar pra sempre do gosto daquele queijo, das nossas muitas batatas cozinhadas, daqueles potes de iogurtes que adorávamos comer, da torta de queijo que ela fez naquele dia que cheguei em casa chorando e ela percebeu; disse que me despedi de uma amiga, mas era a situação q eu estava vivendo. E ela entende o que é a despedida. Nos despedimos com sorrisos sem saber que seria a última despedida. Talvez ela soubesse, mas eu não sabia, não queria que fosse. Queria me sentar naquela cozinha novamente e bebermos chá juntas, aliás, foi por sua causa que passei a ter esse hábito. E foi por você que aprendi a pilotar uma cadeira de rodas e os trabalhos que ela traz. Eu agradeço por tudo e por aquele "eu nunca vou encontrar outra como você". E eu tbm não. Descance em paz.

Em memória de Anna-Marie G.
(192X-2006)

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

5 cm/s

Ele era como uma manhã de sexta-feira. Desde o dia em que pegaram o mesmo elevador. Ela nunca quis rejeitar ele, mas foi o que acabou fazendo. Não que ela não tivesse um bom motivo, mas hoje nenhum motivo parece bom o suficiente.
Mas era a vez dela ser rejeitada. Não que o motivo dele não fizesse sentido. Ou não que ela não acreditasse. Ela disse para si mesma que não queria compromisso, jurou que não era um relacionamento e tentou tanto acreditar naquilo. Encheu tanto, tanto a cabeça com as milhões de mentiras que queria desesperadamente acreditar.
Mas a lembrança dele estava ali, na frente dela, esfregando a verdade na sua cara, queria muito mais do que só aquele dia, mas não tinha coragem de assumir. Era a mais covarde das pessoas, porque até para ele negaria.
Talvez de tanto negar pudesse só por um dia acreditar que não era saudade, que realmente não sabia de onde vinha a tristeza cujos dentes podia sentir na sua carne, fingir que não era medo das férias, fingir que não queria, fingir que conseguiu esquecer, fingir que não se importava. Sempre acabava procurando pedaços dele nos lugares mais improváveis, mesmo sabendo que nunca estaria em um lugar desses, que ele nunca viria. Queria esconder que havia esquartejado e espalhado suas lembranças para poder sentir o cheiro da felicidade morta nos cantos que passava. Mas, a segunda-feira eminente não a deixava mentir.
Ele não saberia nada disso. Porque do lado dele, tudo o que ela fazia era sorrir.
Dessa vez, ao menos, ela iria se despedir sorrindo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Um dia após feriado nacional e a cidade parada. Duas amigas em um bar. Não é um dia muito feliz para nenhuma delas, nem uma boa fase. A vida é decepcionante de vez em quando, e ela passa rápido. Passou os últimos anos voando e elas procurando a felicidade, o que fazer da vida. Porque não queremos uma vidinha básica, ter objetivos que só vão se concretizar - e *se* se contretizarem - daqui há 5 anos. Queremos um objetivo para vivermos bem hoje, um projeto pra alcançar, uma razão para sorrir. Um amor de verdade, ser elas mesmas sem máscaras e ponderações. Por isso se encontram, nesse bar, nessa data, pra ser elas mesmas uma com a outra, a única pessoa do mundo com quem podem ser inteiramente sinceras. Saudades de pessoas que há muito não têm contato, que esse dia faz lembrar de tudo outra vez. Tanta coisa passada, lembrada, guarda, sequer vividas. Tantos anos de distância e tudo se resume a distâncias: para alcançar os objetivos, de amores fracassados, de mesmices, de dúvidas, de boas épocas. Anos passam e nós ainda esperamos por coisas que nunca vieram. Todo mundo precisa de uma razão para viver que se resume a uma vontade de conseguir alguma coisa. E quando o objetivo é distante, ou se perde o interesse, o que acontece então? Busca encerrada?
Garçon, mais um chopp...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

"Não quero mais"

Ela devia ter uns 9 anos, ele a mesma idade. Estudavam no mesmo colégio, ele veio transferido de Minas, ela sempre tinha morado ali. Ela sentava na primeira
carteira, ele na última. Ela sempre olhava pra ele, ele nunca olhava pra ela.
Amor de criança é sempre assim, meio desencontrado. Deve ser pra dar tempo de amadurecer a idéia ou simplesmente para frustrar desde cedo. Calejar o coração.
Ela era tímida e por mais de um ano não disse nada. Depois de um passeio da escola e ele finalmente olhou pra ela. E ela soube. Masa timidez foi sempre um fantasma entre os dois. Quando no último dia de aula ele quis saber se ela gostava dele, ela simplesmente não conseguiu responder. E recebeu um terrível bilhete. Devidamente rasgado. Foi atrás dele, mas a timidez ainda estava lá e ela não conseguiu dizer metade das palavras que gostaria.
Acho que ela queria dizer o quanto ela gostava dele, o quanto ela queria ficar ao lado dele, que aqueles três meses de férias seriam torturantes, que quando ela o via chegava a tremer, que as palavras fugiam... e por isso mesmo não conseguiu dizer nada.
Mudaram ambos para o mesmo colégio no ano seguinte. Mas que diferença isso fez? Se agora até a turma deles não era a mesma. A distância só aumentava e a timidez sempre foi a aura dela. Em três anos, quantas foram poucas as vezes que conversaram? Mas ela nunca conseguia se interessar por alguem, por causa dele.
Mesmo que ele não se importasse, mesmo que para ele já não fizesse diferença alguma. Os sentimentos dela nunca diminuíram, nem um pouco. Ele era a dor que a acompanhava durante todos os seus dias. Até que um dia resolveu abandonar tudo aquilo, cansou. Saiu do colégio. Tentou se interessar por outras pessoas. Mas ele estava sempre lá.
Até que um dia, ela finalmente amava outro, mas deu uma certa nostalgia. Queria vê-lo mais uma vez, resolveu ligar, afinal o telefone dele jamais esqueceria. Foi bem recebida, viraram amigos, melhores amigos eu diria. E tiveram seis meses de Rurouni Kenshin, Siam Shade, The pillows, Mac aos sábados, e mais um monte de coisas, que ele provavelmente nem se lembra mais.
Ela estava finalmente apaixonada por outro, quando escutou "namora comigo". Estava ali, na frente dela a frase que ela esperou durante 5 anos, o sentimento que ela sempre desejou dele, sempre, mas não mais. E ela recusou. Continuavam amigos... Depois dela já recuperada. Desejar alguem durante tanto tempo, tornou as coisas muito turvas, perdeu de vista quem ele realmente era, de tanto que idealizou. Não souberam lidar com o namoro, muito menos com o término, durou só dois meses. Secou.
Hoje em dia estão felizes, distantes e não trocam sequer uma palavra.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Estou com medo de me apaixonar, mas ele é lindo, loiro, surfista..."

E assim começou mais uma linda história de amor... Não, não sou eu, não gosto de loiros e muito menos de praia. Mas tem gente que é bem assim, se ele não fosse loiro? E se não fosse lindo? Seria assim também? Por quem ela se apaixona? Por ele ou o estereótipo? Ou é só o doce masoquismo de se ver na mesma situação?

Ele não a ama. Nunca amou. Ele ama a namorada, nunca ela. Ela era a sobremesa, não o jantar. Ela quase morria quando o celular dele tocava e era a oficial. A mentira indisfarçável sua frente incomodava, mas como dizer que eles não teriam futuro? Afinal, para ela hoje era futuro, pois no início era carnaval, festa, cidade pequena,bloco de rua, chuva, multidão. Só depois ele conheceu aquela que se tornou eterna em sua vida, e que não era ela. Tinha ficado esquecida em algum lugar da sua memória, até que resolvesse retornar.

Anos depois e um relacionamento escondido era futuro e poderia dar certo. Mas é difícil negar que ele só quer te comer quando ele resolve te chamar para ir em um motel, não é? Triste não? Ser menos importante.

E ela começou outra vez: conheceu outro lindo, loiro, surfista e estava com medo de se apaixonar. Medo de se apaixonar. Frase que só diz quem já está apaixonado. Talvez o correto fosse dizer "estou com medo de cair na mesma merda de novo"

Às vezes, nem era mais a namorada dele, porque dessa vez ele não tinha namorada, era o descomprometimento dele. "Eu gosto de você, mas não quero namorar agora." E quando termina o agora? Ela queria ficar com ele, a exclusividade que a palavra namoro trazia, mas abria mão daquilo que queria só porque se tentasse ir além perderia o pouco que tinha. A lógica do não quero perder o que não tenho. Mais fácil acreditar no discurso sobre não fazer promessas dele, afinal quem não faz promessas pode sempre dizer "eu nunca te prometi nada" e assim se expiar de toda a culpa, afinal ela se apaixonou porque quis. Ele nunca disse que queria mais do que aqueles esporádicos encontros, quem imaginou isso foi ela. E não era a primeira vez que ela fantasiou alguem.

E aquilo se arrastou por mais de um ano, agora ela era a namorada e tinha toda a exclusividade que ela sempre quis, mas de que adianta exclusividade se não se tem o amor dele? Porque ele não queria amor, não queria reciprocidade na integra apaixonada dela, não queria fazer parte da vida, partilhar alegrias, tristezas, dificuldades, doenças. Ela não escutou em todo esse tempo um "te amo". E finalmente a frase que ele encontra pra dizer é "Estou indo viajar, preciso me encontrar". Até que a morte os separe nao era pra ele. Nem até o sol raiar amanhã. E ele então viajou e ela ficou sozinha, sofrendo mais uma vez seu amor não compensado.

Por que o não loiro, não lindo, não surfista do passado não teve a mesma sorte. Ela nunca realmente se apaixonaria por ele.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Mesmo eu sabendo que você não poderia estar lá

Mesmo eu sabendo que não era você alí comigo, eu me deixei levar. Procurar por um amor fácil, por alguns minutos, algumas horas talvez. É ruim estar sozinha, tão sozinha que se torna carente e cai nos braços de alguém tão facilmente. Mas, que coisa, não parei de pensar em você um minuto, o tempo todo, queria que você fosse quem estivesse alí. Mesmo o tempo não trabalhando a nosso favor, eu sempre lembro de você nas pequenas coisas, te procuro nos simples fatos mesmo sabendo que você não está em qualquer lugar, nem em todos ao mesmo tempo, nem ao menos tenha estado alguma vez. Mas eu sinto sua falta. Não quero qualquer um, não quero qualquer companhia, mais uma, menos uma, tanto faz. Qualquer quarto, uma cama para deitar. Não. Queria que fosse você. E é por isso que esta noite me sinto tão vazia. Queria dormir em seus braços, olhar com sinceridade no seu rosto, nos seus olhos e saber que você - não algúem, mas você - me ama. E sentir que estaria tudo bem e que tudo ficaria bem, que estaríamos assim, juntos em corpo e em sentimentos para sempre. Mesmo sabendo o que para sempre pode acabar com o amanhacer. Hoje estamos longe, procurando um o outro em outras bocas, mas sem abraços, sem amor de verdade. Amor de verdade... só sei que existe porque senti em você. Eu queria estar com você agora e dizer que farei com isso seja eterno para nós dois, que te amaria para sempre porque é você em quem eu penso em todos os momentos, ainda que estejamos sendo jogados de um lado para o outro nas mãos do tempo, da dor... da vida. Até quando?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Dias chuchu

Odeio dias chuchu ainda mais que dias ruins, dias ruins alguma coisa te acontece. Morre seu hamster, você vai mal na prova, bate o carro, leva um chute. Mas dia chuchu, ele já começa assim, sem perspectiva alguma. Passam as horas arrastadas e nada acontece. Você olha para o telefone a cada 5 segundos, para saber se nos outro 4 alguem te ligou. E você deseja tanto, tando que alguma coisa que seja aconteça, que alguém te chame pra qualquer coisa. O quê? Ir com você ao médico? Claro. Vacina no cãozinho? Lógico. Visitar a vó no asilo? Como recusar?
Nesses dias que não aparece uma viva alma te chamando pra beber no barzinho tosco da faculdade, sinceramente, prefiro as segundas. Elas ainda tem um ar de dia ruim, início da semana, mas as terças? Ah, o que dizer das terças? Nada, porque são assim... dia chuchu. Elas não são promessas de nada. Você não diz que vai começar a dieta na terça ou que na terça você vai pensar nisso. Terças não representam promessas, ou grandes dias. Alguém conhece uma festa boa pra eu ir nessa terça? Não, porque existem festas na segunda, mas não na terça. Enfim, daqui a duas horas finalmente termina esse suplício. E vem a quarta... e quarta feira pode ser um dia excelente. ^^