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sábado, 20 de agosto de 2011

E o mengão?

Uma professora de etiqueta que eu tive disse que não se deve conversar em meios de transporte, menos ainda em lugares confinados tal qual em elevador. Desagradável estar no elevador ou (tentando dormir) no ônibus e a pessoa do lado num papo animadíssimo com a outra ou então em assuntos peculiares tais quais doenças, mulheres falando de menstruação, fofoca de quem foi detido porque tava todo bêbado vomitando na porta da casa de alguém e por aí vai.
E conversa de elevador podia passar em branco. Uma coisa é dar bom dia, outra é criar um diálogo, na maioria das vezes, metereológico.
"Tá frio hoje né?!"
"Ainda tá chovendo? Não trouxe meu guarda-chuva!"
"Aiii que frio!!!!"
"Nossa, que calor lá fora!"
...
Meu amigo no elevador do prédio, indo ou saindo de casa não vem ao caso; aí pára num andar X e entra o vizinho boa praça
- "Você tem cara de flamenguista"
- "É, sou..."
- "E o mengão, vai dar pra gente hoje?"

E seu meu camarada fosse Botafogo, Vasco, Fluminense, Dubaiense???? Estaria comprada a briga dentro do elevador ou seria fim do papo?

Respeitemos o silêncio cortês do próximo. Amém.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

5 cm/s

Ele era como uma manhã de sexta-feira. Desde o dia em que pegaram o mesmo elevador. Ela nunca quis rejeitar ele, mas foi o que acabou fazendo. Não que ela não tivesse um bom motivo, mas hoje nenhum motivo parece bom o suficiente.
Mas era a vez dela ser rejeitada. Não que o motivo dele não fizesse sentido. Ou não que ela não acreditasse. Ela disse para si mesma que não queria compromisso, jurou que não era um relacionamento e tentou tanto acreditar naquilo. Encheu tanto, tanto a cabeça com as milhões de mentiras que queria desesperadamente acreditar.
Mas a lembrança dele estava ali, na frente dela, esfregando a verdade na sua cara, queria muito mais do que só aquele dia, mas não tinha coragem de assumir. Era a mais covarde das pessoas, porque até para ele negaria.
Talvez de tanto negar pudesse só por um dia acreditar que não era saudade, que realmente não sabia de onde vinha a tristeza cujos dentes podia sentir na sua carne, fingir que não era medo das férias, fingir que não queria, fingir que conseguiu esquecer, fingir que não se importava. Sempre acabava procurando pedaços dele nos lugares mais improváveis, mesmo sabendo que nunca estaria em um lugar desses, que ele nunca viria. Queria esconder que havia esquartejado e espalhado suas lembranças para poder sentir o cheiro da felicidade morta nos cantos que passava. Mas, a segunda-feira eminente não a deixava mentir.
Ele não saberia nada disso. Porque do lado dele, tudo o que ela fazia era sorrir.
Dessa vez, ao menos, ela iria se despedir sorrindo.