quarta-feira, 17 de junho de 2009

Slat

O carro está aqui para as garotas de vermelho.
Para fora do ninho, chegou a hora.
Uma luz sempre fica acessa para lembrar de onde vieram. E para onde voltar.
Uma após a outra. Chegou a hora de te deixar.
Último jantar, última risada, últimas fotos e lágrimas, nessa rua que você deixou tão vazia. Uma após a outra, elas vão.
Os telefones estão desconectados. O carro está aqui para buscar a garota dos olhos vermelhos.
Para longe da cidade, chegou a hora.
Deixe a luz acessa caso queira voltar.
E através do céu, através do mar, seus sorrisos voltaram a brilhar.
Eu não consigo parar de chorar.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Conversas (im)Produtivas

- Você não fez aquilo, fez?
- Fiz.
- Minha nossa! Você fez mesmo?
- Fiz.
- Não, por favor, diga que não fez.
- Fiz.
- Você realmente teve coragem e fez?
- Fiz.


Qual a grande dificuldade em acreditar que fiz?

sábado, 16 de maio de 2009

It's just another saturday.

Eu poderia repetir todas as coisas que vivo dizendo pra você, mas eu não quero.
Afinal você saberia, mesmo se eu não falasse nenhuma.

11 anos.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Desconectados

Era mais do um pensamento frequente, era uma verdade todos os dias. Seja lá onde estivesse.
Por anos foi um amigo, uma obsessão, uma paixão, um amor, um sonho em todas as noites. Uma distância.
Alimentado pelo platonismo, pelo cansasso, pelo belo mundo idílico imaginado, pelo medo. Pela distância.
Esteva sempre presente nas conversas, nos pensamentos e nas gargalhadas. Fazia tão bem e feria tanto. E sempre querendo-o mais e de novo. Apenas mas uma vez, mais um dia e que desta vez finalmente durasse pra sempre.
Mais do que um medo, um fracasso e um sonho; as esperancas dos minutos arrastados em anos, ele não é mais o ponteiro do relógio, a espera incessante de ler seu nome, nome que se transforma aos poucos em apenas lembrancas, risadas, sonhos. E distância.
E se apaga aos poucos. Cada vez mais. Distante.

domingo, 19 de abril de 2009

Oluwa wo ran mi ni lowo

Tenho uma certa saudade do meu país. E toda vez que vou à África ela acontece. A 500 metros do solo, já sei que vou encontrar tanto verde, calor, ruas de terra batida sem asfalto, casas que se assemelham com as favelas e aquela gente negra e simpática. Os aeroportos na maioria das vezes são muito mal desenvolvidos, parecem com a rodoviária internacional do Rio de Janeiro a.k.a Galeão. A África faz me sentir no Brasil. Afinal, não estamos tão longe, antes das léguas marítimas nos separarem estávamos bem ao lado. Depois veio a escravidão. E o Brasil tem muita raíz africana.
O que mais me encanta é o povo. Há vida na África. A última vez que estive na Europa, num sábado de sol com um lindo céu azul na Alemanha, não se via ninguém na rua. Os poucos que andam, parecem tristes e amargurados, ou sentam pra ver a vida passar. Na África, onde há tanta corrupcão, pobreza, malária e hiv em altos índices, encontra-se um povo sorridente, alegre, receptivo ao estrangeiro e um sorriso onde não se vê falsidade como nos sorrisos murchos europeus. O sorriso do africano é contagiante, a gentileza do povo me deixa pasma, nunca em hotel algum carregaram minha mala até meu quarto - e fizeram isso para todos nossos colegas - e sempre sorrindo. Toda vez que vou à África eu esqueco todo tormento, me perco e me encontro no verde da natureza, é um lugar onde pensamentos brotam, se transformam e tudo se cura. Há tanta, tanta vida na África. Uma colega negra africana diz que se todo o continente se unisse e formasse um só país, a economia mundial entraria em declínio e eles seriam os donos do mundo. Uma terra onde o que se planta, nasce; ouro e tantas riquezas naturais e um povo que sabe viver e sorrir, sorrir com a alma, em meio a tanta labuta e dificuldade. Acho que isso o brasileiro tem do africano. E essas viagens para a África me trazem essa saudade de casa e toda vez que vou para lá, meu coracão viaja todas essas léguas entre um continente e outro. E se alegra.

domingo, 29 de março de 2009

E aí? Está esperando o ônibus?

Hoje acordei e senti o cheiro da marca do seu cigarro na minha calcinha. Não sei se foi o cheiro do cigarro ou o ato de cheirar a calcinha... algo aí me fez lembrar de você.
Olhei para o lado e vi 2 copos vazios e uma garrafa de gin no criado mudo, pensei: "Será que você esteve aqui ontem?".. mas sei lá, eu tambem tenho esse habito de beber em 2 copos, e ainda assim, só um deles tinha cheiro de perfume.
Passei pela sala, tudo normal. Abri a geladeira e dei falta de um danoninho... e você sempre adorou essa merda. Alias, isso é uma das poucas coisas que temos em comum.
Me dei conta que a porta estava trancada por dentro, com a correntinha... por mais habeis e longos que seus dedos fossem ainda assim eles nao conseguiriam tal proeza. Nem me dei ao trabalho de olhar pela janela, sei que você tem medo de altura.
Como quem não quer nada comecei a cantarolar qualquer coisa de chitaozinho e xororó, só porque você odeia... e é só quando eu te irrito que vale a pena ter você por perto.
A campainha tocou, pensei "pronto, era você fingido que esqueceu algo, só pra voltar". Abri a porta... era a Thaís do 403, a chamei pra tomar um copo de gin.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Introibo ad altare Dei

Sabia que a última vez que o vi podia ser a última. Mas foi com sinceridade que o abracei e fiquei feliz em vê-lo. Não gosto de despedidas e evitei um último encontro para dizer adeus, o tempo e a distância não trabalhavam a nosso favor. Sempre pensava nele, creio que ainda penso, todos os dias. Dos momentos de conforto que ele me deu, de risadas e até lágrimas que ele me fez chorar, dos ensinamentos e, como ele mesmo um dia disse, da amizade bonita que nasceu entre nós.
Eu gostaria imensamente de poder abracá-lo outra vez, escutar seus conselhos, derramar minhas faltas e chorar minhas confusões; e, por cima de seus óculos, perceber quanta coisa aqueles pálidos olhos azuis sentiam, afinal guardávamos nossas almas como um segredo preso na garganta. Tantas coisas que nunca saberei e todo que ele nunca pode me contar e tudo que eu falei agora estão guardados e lacrados. Foi meu confissor, meu amigo, meu pai, meu irmão, o avô que nunca tive, meu padre e meu pastor. Por cada hóstia levantada e cada passo arrastado até o altar de Deus, "conceidei ó Deus ao que partiu dessa vida a luz que não se apaga".


In memoriam Frei Marino Prim (OFM)