segunda-feira, 11 de maio de 2009
Desconectados
Por anos foi um amigo, uma obsessão, uma paixão, um amor, um sonho em todas as noites. Uma distância.
Alimentado pelo platonismo, pelo cansasso, pelo belo mundo idílico imaginado, pelo medo. Pela distância.
Esteva sempre presente nas conversas, nos pensamentos e nas gargalhadas. Fazia tão bem e feria tanto. E sempre querendo-o mais e de novo. Apenas mas uma vez, mais um dia e que desta vez finalmente durasse pra sempre.
Mais do que um medo, um fracasso e um sonho; as esperancas dos minutos arrastados em anos, ele não é mais o ponteiro do relógio, a espera incessante de ler seu nome, nome que se transforma aos poucos em apenas lembrancas, risadas, sonhos. E distância.
E se apaga aos poucos. Cada vez mais. Distante.
domingo, 19 de abril de 2009
Oluwa wo ran mi ni lowo
O que mais me encanta é o povo. Há vida na África. A última vez que estive na Europa, num sábado de sol com um lindo céu azul na Alemanha, não se via ninguém na rua. Os poucos que andam, parecem tristes e amargurados, ou sentam pra ver a vida passar. Na África, onde há tanta corrupcão, pobreza, malária e hiv em altos índices, encontra-se um povo sorridente, alegre, receptivo ao estrangeiro e um sorriso onde não se vê falsidade como nos sorrisos murchos europeus. O sorriso do africano é contagiante, a gentileza do povo me deixa pasma, nunca em hotel algum carregaram minha mala até meu quarto - e fizeram isso para todos nossos colegas - e sempre sorrindo. Toda vez que vou à África eu esqueco todo tormento, me perco e me encontro no verde da natureza, é um lugar onde pensamentos brotam, se transformam e tudo se cura. Há tanta, tanta vida na África. Uma colega negra africana diz que se todo o continente se unisse e formasse um só país, a economia mundial entraria em declínio e eles seriam os donos do mundo. Uma terra onde o que se planta, nasce; ouro e tantas riquezas naturais e um povo que sabe viver e sorrir, sorrir com a alma, em meio a tanta labuta e dificuldade. Acho que isso o brasileiro tem do africano. E essas viagens para a África me trazem essa saudade de casa e toda vez que vou para lá, meu coracão viaja todas essas léguas entre um continente e outro. E se alegra.
domingo, 29 de março de 2009
E aí? Está esperando o ônibus?
Olhei para o lado e vi 2 copos vazios e uma garrafa de gin no criado mudo, pensei: "Será que você esteve aqui ontem?".. mas sei lá, eu tambem tenho esse habito de beber em 2 copos, e ainda assim, só um deles tinha cheiro de perfume.
Passei pela sala, tudo normal. Abri a geladeira e dei falta de um danoninho... e você sempre adorou essa merda. Alias, isso é uma das poucas coisas que temos em comum.
Me dei conta que a porta estava trancada por dentro, com a correntinha... por mais habeis e longos que seus dedos fossem ainda assim eles nao conseguiriam tal proeza. Nem me dei ao trabalho de olhar pela janela, sei que você tem medo de altura.
Como quem não quer nada comecei a cantarolar qualquer coisa de chitaozinho e xororó, só porque você odeia... e é só quando eu te irrito que vale a pena ter você por perto.
A campainha tocou, pensei "pronto, era você fingido que esqueceu algo, só pra voltar". Abri a porta... era a Thaís do 403, a chamei pra tomar um copo de gin.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Introibo ad altare Dei
Eu gostaria imensamente de poder abracá-lo outra vez, escutar seus conselhos, derramar minhas faltas e chorar minhas confusões; e, por cima de seus óculos, perceber quanta coisa aqueles pálidos olhos azuis sentiam, afinal guardávamos nossas almas como um segredo preso na garganta. Tantas coisas que nunca saberei e todo que ele nunca pode me contar e tudo que eu falei agora estão guardados e lacrados. Foi meu confissor, meu amigo, meu pai, meu irmão, o avô que nunca tive, meu padre e meu pastor. Por cada hóstia levantada e cada passo arrastado até o altar de Deus, "conceidei ó Deus ao que partiu dessa vida a luz que não se apaga".
In memoriam Frei Marino Prim (OFM)
domingo, 8 de março de 2009
Minha última noite em casa
Não tinha lugar pra ir. Fiz minha ligação. Me refugiei na casa de uma amiga. Fumei na varanda. Dormi.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Love is watching someone die.
Mas eu lembro do dia dos pais do ano que ele se mudou, foi a única vez que meu pai foi comigo ao dia dos pais do colégio, foi a única vez que ele pode ir. A atividade familiar era fazer algo com sucata em companhia do seu pai, ele fez um satelite de cartolina rosa e canudos coloridos, para que mesmo longe nós pudessemos nos falar de alguma forma, aquele satélite seria ele. Eu nunca vou me esquecer desse dia, considero uma das memórias mais importantes que eu tenho.
Nos falávamos aos domingos, telefonar para meu pai é minha missa, meu dia sagrado. Eu quero ouvir ele falando das maravilhosas partidas de xadrez, da beleza das equações, dos números primos, dos planos dele para decodificar RSA.
Passei quase o mês inteiro de janeiro ao lado dele, assistindo seriados de madrugada, bebendo cerveja, conversando. Ele me contou das tentativas de suicidio dele pela primeira vez.
Como quando minha mãe e ele se separaram, ele doou todos os móveis e eletrodomésticos, abriu a janela, porém lembrou das duas filhas pequenas qua ainda tinha e que queria vê-las crescer. Meu pai não se matou por causa do amor que ele tinha por mim. Essa foi a maior prova de amor dele.
Ele tomou 10 comprimidos de anti-depressivo, implorou para que o general não aposentasse ele, falando todo torto. Mas não adiantou, ele foi aposentado.
Hoje, eu o vejo piorando a cada dia, parando de andar, de piscar, de escrever, da sair, de sorrir. Ele está perdendo as expressões faciais, aparentar ser muito mais velho do que é, mas quando ele finalmente sorri, eu reconheço ele. Eu reconheço o pai que sempre me amou, sem nunca ter me sufocado. E eu quero ver ele quase chorando de alegria, como no dia que eu passei no vestibular. Porque ali eu vi o quanto ele se orgulhava de mim.
Eu já tentei me preparar para a morte dele, mas não é algo que eu consiga. Simplesmente, não estou pronta para deixá-lo ir, e descobri que não quero estar. Não quero transformá-lo num morto-vivo. Eu quero beber toda a cerveja do mundo com ele, escutar Roberta Mirando, cantar "Me dê motivos",rir mais de milhares de vezes com ele, ser acordada de madrugada porque ele está com insônia, escutar todas as piadas ruins que ele consegue inventar.
Eu quero muito ser filha.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
It's on
Dia de sol e calor e reencontro com a amiga que não vejo por volta de um ano e meio. Ficamos nos abracando e dando pulinhos (como a maioria das mulheres histéricas fazem) no corredor por alguns segundos (talvez tenhamos ultrapassado a casa dos segundos). Fomos bater perna e jogar papo fora, falar das novidades e também das lembrancas, afinal recordacões são inerentes à longas amizades.
Como andamos sem destino certo, nossa conversa também foi se perdendo e dando voltas na linha do tempo, lembramos de pessoas que havíamos esquecido há muito tempo - engracado como são as coisas, de algumas nem lembramos as feicões - e de momentos hilários. De vez em quando a sessão nostalgia faz bem, ao contrário das vezes que beirei à lágrimas - ou cheguei a elas - neste dia, sentadas com o pé dentro do laguinho no parque, ríamos de tudo o que passou.
Quel e eu tivemos os 12 anos ouvindo rock, usando casaco de flanela, cultuando nossos All Star's (na época que o par ainda custava R$18,90) e Nirvana era a traducão de música. Quel e eu sempre gostamos de alguns estilos musicais diferentes, mesmo estilos de rock diferentes. Lembramos da época que saíamos para ir a showzinhos das bandas de garagem de Niterói, meu melhor amigo (encontra-se atualmente aqui, só que mais velho, menos magro, mais careca [te amo mlk =**]) tocava numa banda grunge e eu acompanhei de perto seus ensaios lotados em algum estúdio ou na casa de algum dos integrantes. E nós nos divertíamos.
Não acreditamos que nenhuma dessas bandas ou seus integrantes tenham ido pra frente com música, ainda que algumas bandas realmente tivessem talento e música significasse vida pra eles. Afinal não é toda banda de garagem que vira o Silverchair.
Pelo o que ficamos sabendo (visto que nenhuma de nós duas mora mais em Niterói) um dos locais toscos onde as bandas se apresentavam ainda existe, e agora até ar-condicionado tem, mas não sabemos quem vai e quais são as bandas. Passamos da idade. E era mais legal quando era tosco, quando o teto era de lona e uma árvore nascia do lado do palco e um tronco entrava pela parede. Mas se as bandas da nossa época um dia voltassem a fazer um show, tive que concordar com Quel que estaríamos presentes e na primeira fila se fosse a Freak(y). E esta é a mencionada banda que respirava música citada a cima. E talento também. O vocalista era namorado da minha irmã e meu amigo também. Eu e Quel quase sempre íamos quando eles tocavam. Eu várias vezes dividi o bateirista - único integrante sem namorada - com outro amigo do pessoal para ver quem entraria de graca e economizaria R$3,00. Nossa, da Freaky tenho muitas lembrancas. E saudades. Eles tocavam Korn, banda que eu e Quel gostávamos muito também. Flashes passaram pela minha cabeca, engracado observar como a memória age. Lembrei de eu pintando as unhas de Tiago de preto para um dos shows; as guitarras de Diogo tinham nome (e acho que era o nome das filhas de algum ou alguns dos integrantes do Sepultura); de estar mexendo no computador e Ricardo tocando guitarra na minha casa com minha irmã e o riff de "Falling away from me" me puxar de volta pro mundo, porque eu realmente amava essa música; de Tiago ter me puxado pro palco uma vez enquanto essa música rolava [e ter me matado de verginha] e de uma vez que Tiago quebrou o palco passando o som e o vocalista de outra banda caiu no buraco, a banda que o baixista da Freaky já tinha tocado. Lembrei desses momentos em questões de minutos. E ri, ri muito.
Ao fim da viagem, quando cheguei em casa, liguei o computador e baixei muitas músicas do Korn.
Quanto a Freaky, restou um cd demo que eles chegaram a gravar.
Fragmento da Freaky aqui (guitarrista FODA demais. Não tive palavra mais educada.)


