domingo, 9 de janeiro de 2011

Casal (a)normal

Casais normais vão ao cinema.
Casais normais dormem durante a noite.
Casais normais tomam café da manhã na cama.
Casais normais passeiam de mãos dadas pela praia.
Casais normais saem pra jantar.
Casais normais tocam juras de amor.
Casais normais fazem planos para o futuro.

Eu e você temos um apartamento vazio e um sofá verde.

Outra

Inferno. Eu deito na cama dela, com o homem dela, o gato dela. O que eu sou senão uma sombra dela? E ele não a ama, que diferença faz ele não me ama também. Ao menos naquele apartamento vazio o fantasma dela é mais ameno, diferente da cama onde ele dorme com ela todo dia, e insiste pra mim que não estão juntos. Obvio que sim, mas que diferença faz pra mim, se eu sou resto.
Então amanhã de manhã ele vai me mandar mensagem enquanto ela dorme, porque sou eu que ele queria ver acordar do lado dele. Mas ele não quer tanto assim, que o faça largar dela. Mas ele não quer tanto assim, que faça qualquer diferença. E eu não quero tanto assim que me faça largar dele. E eu não quero tanto assim que me faça qualquer diferença.
Inferno, inferno. Me salva do inferno que é não ter você todo dia, porque eu sei , meu amor que hoje você dorme do lado dela.E hoje, você não vai ligar nem mandar mensagem porque hoje você é dela. E eu? Hoje eu não faço diferença. Porque amanhã, eu sei, você me ama e amanhã eu faço diferença, mas não hoje, porque hoje eu não sou nada. E hoje você dorme do lado dela.

E então

Era um predio baixinho numa rua esquecida pelo tempo. Ao contrario de toda a cidade que crescia, a rua diminuía nela mesma, se tornando quase um ponto. De tão milimétrica somente seus moradores e alguns entregadores do correio conheciam seu nome. Três andares, quatro apartamentos por andar, doze apartamentos, doze não-famílias. A primeira vez que ela encontrou aquele prédio era um dia chuvoso, numa cidade que alaga, água pelos joelhos, lama por todo o canto. Uma calamidade normal de qualquer chuva primaveril. A arquitetura esquisita e horrorosa da construção sequer chamava atenção. As plantas dos apartamentos foram feitas por alguém que definitivamente deveria ter sua licença de engenheiro retirada. De três quartos, dois davam pra cozinha, um para a sala, o banheiro social saía na copa.
Tinha urgencia em se mudar, depois de ter percorrido a cidade atrás de um teto para ficar, ela se encontrava ali, debaixo da chuva. Subiu as escadas, o quarto anunciado no jornal ficava no terceiro andar. Quando Dona Marina abriu a porta, era como aquelas imagens bíblcas onde se vê aquele feixe de luz iluminando os santos, aquela senhora era tão encantadora quanto a entidade de quem ela tomou o nome. Ela tinha cheiro de manhã de domingo, um sorriso confortante, tinha algo que se perde quando se tenta explicar. Uma clássica senhora idosa, perdeu o marido alguns anos antes, os filhos se casaram tiveram filhos, passou a morar sozinha depois de tudo isso, entrou em alguma religião, sua vida gira torno da igreja, seus amigos são aqueles que ela encontra no culto, nunca teve um amor de verdade. Teve um marido, uma família, mas nunca um amor. E só depois de quase 70 anos, finalmente descobriu o sentido da palavra solidão.
No apartamento era sempre domingo, ignorava que existissem outros dias da semana, o tempo não passava entre aquelas quatro paredes. A poeira que vinha do tunel proximo ao prédio era tão cruel, que mesmo que se varresse o chão e tirasse o pó de seus móveis três vezes ao dia, era a presença que se sentia mais forte durante a manhã, mergulhando tudo em sua fina névoa branca que se depositava em tudo o que era sólido. O que era extremamente enfadonho para a dona da casa, quando se está velha, sua via sempre foi cuidar da casa. Isto é tudo o que lhe resta de orgulho, filhos já crescidos e desviados daquele que ela sempre achara que fosse o caminho perfeito para suas vidas. Encantados com sereias, deusas, ideais familiares, luxurias. A casa era sua única jóia, a ostentação que ela ainda se permitia ter, uma casa arrumada para mostrar aos outros, encantar os vizinhos, com sua cristaleira e louças que foram presentes de seu casamento que há sete anos não existia mais. Nada mais tinha ainda seu sentido impregnado nas coisas, era velharia. Mas presa a essa velharia tanto quanto ao excesso de arrumaçao de todas as coisas.

Hiato

Não escrevi no ultimo ano porque era tanta coisa pra escrever q achei melhor deixar assim, mas sei lá, conversei sobre blogs ontem e me deu saudade. Vou colocar alguns textos sobre o ultimo ano, eles nem são mais realidade, mas já foram, então...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Caminho do Inferno

Fico abestalhada o quanto os brasileiros sao influenciados por telenovelas. Fato que ninguem fazia ideia de onde eu moro ate a senhora Gloria Perez escrever "Caminho da India" e entao os noveleitos acham que eu estou caminhando em ruas pavimentadas a ouro, pescando dinheiro nos rios artificiais de Dubai e casada com um multimilionario Sheik. E mais assustador que isso na mentalidade do povo, e acreditar que a India e um pais lindo, limpo e com pobreza ao mesmo nivel do Brasil. Trabalho numa companhia aerea e, na epoca da dita novela, transportei muitos passageiros brasileiro a caminho da India - afinal a passagem e quase o mesmo custo de uma pra Europa e a Rupia vale quase dez vezes menos que o Real. Falando por experiencia de alguem que ja andou por todos os continentes com um olhar muito mais alem do " noveleiro", vou me conter em comentar sobre o povo indiano para nao causar ofensas aos que nunca conheceram e acham que eles sao lindinhos e queridissimos e orgulhosos da nacionalidade.
Enquanto Marx e seus (pseudo)seguidores afirmam que religiao e o opio do povo, eu constato que novela e o opio do povo. E nao tenho duvidas que, se a proxima novela passar em Itapororoca, a Paraiba tera o auge do turismo em toda sua historia.

sábado, 17 de abril de 2010

Questão

Tem algum trabalho que se trabalhe sozinho? Algum trabalhe que não se relacione com pessoas? Que seja você sozinho numa sala com, no máximo, um computador? Sem ninguém pra pentelhar?
Aceito sugestões.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Sem assunto

Atendendo a pedidos de Lucas, vou atualizar.

Na verdade não tenho o que postar, nada acontece de novo na minha vida: vou pro trabalho, volto pra casa, durmo, acordo, vou pro trabalho, volto pra casa, durmo.... como e engordo e todo o ciclo se repete.

Lost está muito estranho, eu preferia quando Natsuji e eu tínhamos teorias babacas. Agora (não só agora né, faz um tempinho) Lost virou Ben e a Ilha e Locke-do-mau. Não vou fazer spoiler pra não reclamarem depois. Tá que ninguém lê isso. Só Lucas que pede pra atualizar e Antônio que se mete nos comentários de Lucas ;*

Em alguns dias verei Jeffery Deaver pessoalmente. Pra quem não ligou nome à pessoa, é o autor do livro "O colecionador de ossos" - que eu amo - e muitos outros que eu leio desesperadamente.

Hm, fora isso tudo, a vida continua uma merda. Como diria a velha música do Garotos Podres - que é a música mais real do mundo - "Tudo bem. Fora o tédio que me consome todas as 24hs do dia, fora a decepção do ontem, a decepção do hoje e a desesperança crônica no amanhã. Tenho vontade de chorar, raiva de não poder; quero gritar até ficar louco, quero gritar até ficar rouco, isso sem contar a ânsia de vômito reação a tal pergunta idiota. Fora tudo isso, tudo bem!"

É isso. Fim.

(pelo menos por enquanto)